# Análise de Requisitos Técnica - Plataforma de Orquestração Extensível

**Autor:** Robson Menezes
**Data:** 25 de Janeiro de 2026
**Versão:** 1.0 - Finalizada para Início de Programação

## 1. Introdução

Este documento estabelece a **Análise de Requisitos Técnica** para a Plataforma de Orquestração Extensível, um sistema que transcendeu sua origem como "editor de fluxo" para se consolidar como uma arquitetura de orquestração robusta e escalável. O objetivo é fornecer uma especificação clara e detalhada dos requisitos funcionais, não-funcionais e de processo, servindo como o contrato primário para o início do desenvolvimento.

A arquitetura atual é considerada **sólida, profissional e escalável**, e os requisitos a seguir visam sustentar essa base através de padrões de desenvolvimento rigorosos e tooling adequado.

## 2. Visão Geral Arquitetural e Princípios Fundamentais

A plataforma é baseada em um princípio de **desacoplamento máximo** entre o motor de orquestração e os componentes de execução (Nós).

### 2.1. Princípios Arquiteturais (Pontos Fortes)

Os seguintes princípios arquiteturais são a base do projeto e devem ser rigorosamente mantidos:

| Princípio | Descrição Técnica | Implicação no Desenvolvimento |
| :--- | :--- | :--- |
| **Motor Cego (Blind Engine)** | O *core* de orquestração opera exclusivamente com metadados de fluxo (conexões, ordem) e não inspeciona a lógica interna ou o payload de dados dos Nós. | O motor deve interagir com Nós apenas via uma interface de execução padronizada (e.g., `execute(context, payload)`). |
| **Nós Isolados (MVC)** | Cada Nó é um módulo independente, implementando o padrão Model-View-Controller (MVC) para sua lógica de negócio, configuração (View) e persistência (Model). | Requer um **Controller Abstrato** (`AbstractNodeController`) para garantir a uniformidade da interface de execução e ciclo de vida. |
| **Sessão Encapsulada** | O estado de execução de um fluxo (a "Sessão") é gerenciado por uma *Engine* dedicada, garantindo atomicidade e isolamento entre execuções concorrentes. | O acesso ao estado da Sessão deve ser feito exclusivamente através da *Engine*, e não diretamente pelos Nós. |
| **Frontend Desacoplável (API-First)** | A UI (User Interface) é minimalista e se comunica com o Backend exclusivamente via uma API bem definida. | A API deve ser projetada para suportar múltiplos clientes (Web, CLI, etc.) e ser versionada. |

## 3. Requisitos Funcionais (RFs)

Os requisitos funcionais definem o que o sistema deve fazer em termos de comportamento e funcionalidades.

| ID | Requisito Funcional | Descrição | Prioridade |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| **RF.1** | Criação e Edição de Fluxos | O usuário deve ser capaz de criar, editar e salvar fluxos de orquestração através da UI, definindo a ordem e as conexões entre os Nós. | Alta |
| **RF.2** | Gerenciamento de Nós | O sistema deve permitir a instalação, atualização e desinstalação de Nós (plugins) de forma dinâmica, sem a necessidade de reiniciar o Motor. | Alta |
| **RF.3** | Execução de Fluxos | O Motor deve ser capaz de iniciar a execução de um fluxo, processando os Nós sequencialmente ou em paralelo, conforme a definição do fluxo. | Crítica |
| **RF.4** | Gerenciamento de Sessão | O sistema deve persistir o estado de cada execução (Sessão), permitindo a visualização do status (em execução, sucesso, falha) e o reprocessamento a partir de um ponto de falha. | Alta |
| **RF.5** | Configuração de Nós | Cada Nó deve expor uma interface de configuração (View) que permita ao usuário definir seus parâmetros de execução, em conformidade com o padrão MVC. | Alta |

## 4. Requisitos Não-Funcionais (RNFs)

Os requisitos não-funcionais definem critérios de qualidade e restrições sobre o sistema.

### 4.1. Extensibilidade e Modularidade

*   **RNF.1.1 (Extensibilidade):** O sistema deve suportar a adição de novos Nós (plugins) sem modificação do código-fonte do Motor de Orquestração.
*   **RNF.1.2 (Padrão de Nó):** A estrutura de cada Nó deve aderir estritamente ao padrão MVC, com o `AbstractNodeController` como ponto de entrada obrigatório para a lógica de execução.
*   **RNF.1.3 (Contrato de Dados):** Deve ser implementado um sistema de validação de esquema (e.g., JSON Schema) para os payloads de entrada e saída de cada Nó, garantindo a **Consistência de Retornos** (R.ORG.3).

### 4.2. Performance e Escalabilidade

*   **RNF.2.1 (Isolamento de Processo):** A execução de Nós deve ser isolada (e.g., em processos separados, *workers* ou *containers*) para prevenir que falhas em um Nó afetem a estabilidade do Motor.
*   **RNF.2.2 (Latência de Execução):** O overhead introduzido pelo Motor de Orquestração na transição entre Nós não deve exceder 50ms.

## 5. Requisitos de Processo e Tooling

Estes requisitos abordam a **disciplina organizacional** necessária para manter a qualidade e a coerência do ecossistema de Nós.

### 5.1. Tooling Mandatório

O desenvolvimento de um **Node SDK/CLI** é prioritário para sustentar a padronização:

| ID | Requisito de Tooling | Descrição Técnica |
| :--- | :--- | :--- |
| **R.TOOL.1** | **Boilerplate para Nós** | O SDK/CLI deve gerar um *template* de projeto de Nó completo, incluindo a estrutura de diretórios, o `AbstractNodeController` implementado e a configuração de testes básicos. |
| **R.TOOL.2** | **Lint Interno e Convenções** | O SDK/CLI deve incluir um conjunto de regras de *linting* específicas para o ecossistema da plataforma, que serão executadas automaticamente no *pre-commit* ou CI/CD, garantindo a **Padronização Visual** (R.ORG.2) e de código. |
| **R.TOOL.3** | **Testes Básicos de Nó** | O *boilerplate* deve vir pré-configurado com um *framework* de testes que valide o contrato de dados (RNF.1.3) e o ciclo de vida do `AbstractNodeController`. |

### 5.2. Requisitos Organizacionais

*   **R.ORG.1 (Design Review):** Todo novo Nó ou alteração significativa em um Nó existente deve passar por um processo formal de *peer review* focado na aderência ao padrão MVC e ao Contrato de Dados.

## 6. Requisitos de Observabilidade (R.OBS)

A observabilidade é crítica devido ao **contrato mínimo** do Motor.

### 6.1. Logging

*   **R.OBS.1 (Logs Estruturados):** Todos os logs devem ser emitidos em formato estruturado (e.g., JSON), contendo campos obrigatórios como `timestamp`, `level`, `session_id`, `node_id`, `flow_id` e `message`.
*   **R.OBS.2 (Níveis de Log):** O Motor e os Nós devem utilizar os níveis de log padrão (DEBUG, INFO, WARN, ERROR, CRITICAL). Logs de nível `INFO` são mandatórios na entrada e saída de cada método principal do `AbstractNodeController`.

### 6.2. Tracing Distribuído

*   **R.OBS.3 (Implementação de Tracing):** Deve ser adotado um padrão de *tracing* distribuído (e.g., **OpenTelemetry**) para instrumentar o Motor e todos os Nós.
*   **R.OBS.4 (Context Propagation):** O `session_id` e o `flow_id` devem ser propagados como *span context* através de todas as chamadas internas e externas (e.g., chamadas de API entre o Motor e o Nó), permitindo o **debug em produção** (R.OBS.3).

## 7. Conclusão e Próximos Passos

A arquitetura é robusta. O foco agora é na **sustentação da qualidade** através de processos e ferramentas.

**Próximos Passos Imediatos para Programação:**

1.  **Definir Contratos de API:** Formalizar a especificação da API (e.g., OpenAPI/Swagger) entre Frontend e Backend.
2.  **Desenvolver o `AbstractNodeController`:** Implementar a classe base que ditará o ciclo de vida de todos os Nós.
3.  **Desenvolver o Node SDK/CLI (R.TOOL.1, R.TOOL.2):** Esta ferramenta é o habilitador da disciplina e deve ser a primeira a ser utilizada no desenvolvimento do primeiro Nó.
4.  **Configurar o Setup de Observabilidade:** Integrar o *framework* de *logging* estruturado e o *tracing* distribuído (OpenTelemetry) no Motor.

Este documento está finalizado e pronto para guiar a fase de implementação.
